Grandes empresas de tecnologia, como Meta, OpenAI e Palantir, estão cada vez mais integradas à estrutura militar dos Estados Unidos, levantando questões sobre o uso de dados e a soberania digital. Em junho deste ano, o Exército americano anunciou a nomeação de executivos dessas empresas como tenentes-coronéis do Destacamento 201, uma unidade recém-criada para líderes do setor tecnológico.
O Exército dos EUA justifica a medida como uma forma de inspirar mais profissionais de tecnologia a servir o país sem abandonar suas carreiras, além de mostrar à próxima geração como “fazer a diferença no uniforme”.
Em um novo livro, um sociólogo da Universidade Federal do ABC (UFABC) explora a relação entre as big techs e as Forças Armadas dos EUA, denunciando o uso de Inteligência Artificial (IA) em operações militares. O professor argumenta que a IA está sendo usada para direcionar alvos em áreas de conflito e defende o desenvolvimento de infraestrutura digital nacional para reduzir a dependência do Brasil de empresas estrangeiras.
Segundo o sociólogo, as big techs são “máquinas geopolíticas” e instrumentos de poder político, econômico e militar global. Ele ressalta a importância de o Brasil investir em infraestrutura própria e alerta para os riscos de contratar empresas estrangeiras para serviços governamentais, o que pode tornar os dados vulneráveis.
O governo brasileiro lançou recentemente a Nuvem Soberana, uma iniciativa para processar e armazenar dados públicos em infraestrutura sob gestão estatal, embora utilize tecnologia de empresas internacionais. Apesar de ser um avanço, o sociólogo considera que a medida ainda é insuficiente diante das políticas de outros países.
O especialista argumenta que as big techs coletam e tratam dados de milhões de pessoas para fins militares, e alerta sobre a necessidade de o Brasil proteger seus dados estratégicos, evitando que fiquem sob controle de empresas que podem estar sujeitas a leis e interesses de governos estrangeiros.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br