A Eletrobras anunciou a venda de sua participação na Eletronuclear para a Âmbar Energia, do Grupo J&F, em uma transação avaliada em R$ 535 milhões. O comunicado da Eletrobras detalha que a Âmbar Energia, pertencente aos irmãos Joesley e Wesley Batista, também assumirá garantias prestadas pela Eletrobras em favor da Eletronuclear, além da integralização de debêntures acordadas com a União, no montante de R$ 2,4 bilhões.
Com a aquisição, a Âmbar passará a deter 68% do capital total e 35,3% do capital votante da Eletronuclear. A conclusão do negócio está sujeita à aprovação de órgãos reguladores.
A Eletronuclear é responsável pela operação do Complexo Nuclear de Angra dos Reis, que inclui as usinas Angra 1 (640 MW), Angra 2 (1.350 MW) e o projeto em desenvolvimento de Angra 3 (1.405 MW). Juntas, as três unidades têm potencial para gerar até 3.400 MW, o suficiente para abastecer mais de 10 milhões de pessoas. Atualmente, o governo detém 64,7% do capital votante e 32% do capital total da Eletronuclear, através da ENBPar.
A Âmbar Energia, parte do Grupo J&F, atua na geração, distribuição e comercialização de energia, possuindo 39 usinas com diversas fontes, como solar, hidrelétricas, biodiesel, biomassa, biogás e gás natural.
O presidente da Âmbar, Marcelo Zanatta, justificou o investimento na Eletronuclear destacando a estabilidade, previsibilidade e baixas emissões da energia nuclear. Ele enfatizou a importância dessas características em um cenário de descarbonização e crescente demanda por eletricidade. Zanatta também mencionou o fluxo estável de receitas das usinas de Angra, que registraram receita líquida de R$ 4,7 bilhões e lucro líquido de R$ 545 milhões em 2024.
A Eletrobras, privatizada em 2022, negociava a venda da participação na Eletronuclear desde 2023. A empresa informou que o valor de investimento na operadora do complexo nuclear somou R$ 7,8 bilhões.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br