Após atingir a marca de 10 milhões de casos, com mais da metade confirmados em laboratório e mais de 6 mil óbitos, um estudo se debruçou sobre a reemergência do vírus da dengue tipo 3 (DENV-3) no Brasil entre 2023 e 2024. A pesquisa revela que a reintrodução do vírus não ocorreu por circulação interna, mas sim através de múltiplas introduções internacionais.
A análise de 1.536 genomas de DENV-3 identificou a disseminação da linhagem 3III_B.3.2, dentro do genótipo 3III, mapeando pelo menos seis rotas de entrada distintas dessa linhagem no país. As principais origens foram identificadas em países da América Central e do Caribe, como Cuba, Porto Rico e Costa Rica.
Acredita-se que a primeira introdução do DENV-3 tenha ocorrido no final de 2022, no estado de Roraima, seguida por eventos similares em São Paulo, Minas Gerais e Pará. O estudo destaca a importância da vigilância genômica para rastrear a circulação do vírus e entender a origem do ressurgimento do sorotipo 3.
O aumento expressivo de casos de DENV-3, saltando de 106 em 2023 para 1.694 em 2024, chamou a atenção, especialmente nas regiões Norte e Sudeste, onde a circulação viral se mostrou mais intensa. A ausência prolongada do sorotipo 3 deixou grande parte da população vulnerável, aumentando o risco de surtos em larga escala.
Pesquisadores envolvidos no estudo enfatizam a importância da vigilância em aeroportos, ressaltando que as rotas aéreas entre o Brasil e os países do Caribe contribuíram para a dispersão do vírus. Eles concluem que esforços contínuos de monitoramento serão cruciais para identificar novas linhagens de DENV e orientar medidas preventivas contra futuras epidemias de dengue no Brasil. As análises filogenéticas e filogeográficas foram essenciais para rastrear as origens e rotas do vírus, identificando que linhagens introduzidas no Pará, Roraima e São Paulo vieram de Cuba; em Minas Gerais e São Paulo vieram de Porto Rico e Costa Rica.
Fonte: www.agenciasp.sp.gov.br