O ex-ministro do Trabalho e Previdência Social, Onyx Lorenzoni, declarou em depoimento que as suspeitas de irregularidades nos descontos associativos do INSS são antigas e persistentes em diversas administrações.
“O problema com descontos associativos era recorrente”, afirmou Lorenzoni, citando denúncias e problemas com acordos desde 2010.
O ex-ministro, que chefiou a pasta por oito meses, admitiu ter conhecimento do problema ao assumir o cargo. Ele alegou que a imprensa já noticiava cobranças não autorizadas em benefícios previdenciários e que um assessor pessoal já havia sido vítima desses descontos.
Lorenzoni relatou que, no início de 2019, o governo enviou ao Congresso a Medida Provisória (MP) 871, que visava coibir fraudes em benefícios e conter despesas previdenciárias. A proposta original previa que as entidades comprovassem anualmente as autorizações de desconto, mas o Congresso alterou a periodicidade para três anos.
Segundo o ex-ministro, durante seu mandato, não houve conhecimento de filiações em massa ou desbloqueio em lotes de descontos. Ele ressaltou a autonomia do INSS e as ações administrativas tomadas contra entidades denunciadas.
Questionado sobre desvios de conduta de dirigentes do INSS, Lorenzoni negou ter conhecimento de irregularidades. Ele admitiu ter recebido R$ 60 mil de um empresário investigado, Felipe Macedo Gomes, para sua campanha eleitoral, mas alegou desconhecimento prévio.
O ex-ministro também negou tráfico de influência em relação aos serviços prestados por seu filho, o advogado Pietro Lorenzoni, a uma das entidades investigadas, afirmando desconhecer os negócios do filho.
Ainda serão analisadas informações prestadas, e o relator da comissão declarou que irá confrontar o depoimento com outros depoimentos e documentos disponíveis.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br