Lula no Conselhão: Fim da Escala 6×1, Combate ao Feminicídio e Críticas à Faria Lima em Pauta

Lula no Conselhão: Fim da Escala 6×1, Combate ao Feminicídio e Críticas à Faria Lima em Pauta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (Conselhão) para defender pautas importantes para a classe trabalhadora e para a segurança pública. Em pauta, o fim da jornada de trabalho 6 por 1, a necessidade de ações mais contundentes contra o feminicídio e a pedofilia, e uma crítica direta à mentalidade especulativa de parte do mercado financeiro.

Lula demonstrou preocupação com o fato de que os avanços tecnológicos, que aumentam significativamente a produção, não se traduzem em melhorias na qualidade de vida dos trabalhadores. Ele destacou que, mesmo com a redução do número de funcionários em grandes empresas, a produção dobra, levantando o questionamento sobre o destino dos lucros e a falta de repasse para a diminuição da jornada de trabalho.

A fala do presidente, divulgada nesta quinta-feira (4), reforça a defesa de uma redução da carga horária semanal, possivelmente de 44 para 40 horas, sem que isso implique em perda salarial. A proposta de emenda à Constituição que visa acabar com a escala 6 por 1 já tramita no Congresso Nacional, e Lula pediu que o Conselhão estude o tema com profundidade.

“Não tem mais sentido, com os avanços tecnológicos que tivemos nesse país, a produção aumentar mas os salários caírem. Se vocês me derem o conselho para reduzir a jornada, eu apresso o fim da jornada 6 por 1, para darmos uma jornada menor para o povo brasileiro”, declarou o presidente.

Ações Firmes Contra Violência e Pedofilia

Além da questão trabalhista, o presidente Lula também solicitou ao Conselhão que elabore propostas para o combate mais eficaz ao feminicídio e à pedofilia. Ele ressaltou a necessidade de medidas mais rigorosas para punir os criminosos envolvidos nesses atos, que causam profundo sofrimento à sociedade.

Lula citou o recente caso de uma mulher que teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por um homem em São Paulo como um exemplo da brutalidade que precisa ser combatida com mais veemência. A busca por uma resposta penal mais dura para esses crimes foi um dos pontos centrais de sua intervenção.

Críticas ao Mercado Financeiro e Visão de Investimento

O presidente aproveitou o encontro para rebater críticas sobre gastos públicos e defender a visão de que investimentos em áreas como saúde, educação e meio ambiente são, na verdade, investimentos em pessoas e no futuro do país. Ele criticou o que chamou de “mentiras” e especulações fiscais vindas, segundo ele, da Faria Lima, área conhecida por concentrar o mercado financeiro em São Paulo.

“Tem gente que vive de mentiras no Brasil. Tem gente que ganha fazendo especulação. Começa janeiro e os caras ficam dizendo que vai ter déficit fiscal”, afirmou Lula, questionando se essa parcela da população se preocupa com as periferias ou com a fome. Ele também defendeu a demarcação de terras indígenas como uma forma de devolver o que historicamente pertencia a esses povos.

Lula comparou a postura brasileira com a de países como Estados Unidos e Alemanha, que, segundo ele, não se prendem a tetos de gastos para realizar investimentos, como no caso da aprovação de 800 bilhões de euros para compra de armas na Europa. Para o presidente, há uma clara inversão de valores quando o foco está em restrições fiscais em vez de no combate à fome e na melhoria da vida da população.

Posição sobre Licenciamento Ambiental e Relação com o Congresso

O presidente também comentou a derrubada de vetos presidenciais pelo Congresso Nacional relacionados ao licenciamento ambiental. Lula alertou que as flexibilizações na legislação podem gerar problemas para o agronegócio brasileiro em negociações internacionais, como com a China e a União Europeia.

“Nós vetamos esse projeto para proteger o agronegócio, porque essa mesma gente que derrubou meus vetos, quando a China ou a Europa pararem de comprar nossa carne ou nosso algodão, vão vir falar comigo outra vez”, disse, argumentando que a produção deve ser cada vez maior, mas também mais sustentável e limpa.

Sobre a relação com o Congresso, Lula afirmou que não vê problemas em eventuais divergências, pois fazem parte do jogo democrático. Contudo, ele reiterou sua discordância com as emendas impositivas, considerando que o Congresso “sequestrar 50% do orçamento da União é um grave erro histórico”.

Haddad Reforça Compromissos Fiscais e Econômicos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, presente na reunião, comentou as questões fiscais, afirmando que o déficit fiscal do atual mandato será 70% menor que o do governo anterior e 60% menor que o do governo que o precedeu. Ele destacou o retorno ao respeito aos padrões internacionais de transparência nas contas públicas, o que, segundo ele, tornou o Brasil o segundo destino de investimento estrangeiro no mundo.

Haddad também ressaltou que a inflação nos quatro anos do governo Lula será a menor de toda a história do país, superando períodos como o Império e o Plano Real. Ele concluiu enfatizando que a conciliação entre a queda da inflação e a queda do desemprego representa um cenário positivo para a sociedade brasileira, indicando que o governo está conseguindo o melhor de dois mundos.