Conselhão Entrega a Lula Metas Estratégicas Para o Futuro do Brasil: Pilares de um Projeto de Nação para 2050

Conselhão Apresenta a Lula Documento com Metas Estratégicas para o Desenvolvimento do Brasil até 2050

A 6ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), conhecido como Conselhão, marcou a entrega do documento Pilares de um Projeto de Nação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O conselho, reativado em 2023, reuniu representantes do governo, sociedade civil e empresariado para discutir diretrizes de desenvolvimento.

O documento, construído a partir de discussões em comissões temáticas, alinha-se à Estratégia Brasil 2050 e propõe metas para a próxima década, com ações concretas para os próximos cinco anos. O objetivo é traçar um caminho para um Brasil mais justo, próspero e sustentável, promovendo um diálogo plural e democrático.

O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou a importância da retomada do diálogo institucional. “As políticas governamentais são construídas para atender às demandas da sociedade. Então, essa escuta é fundamental”, afirmou Santana, ressaltando o papel do conselho como um instrumento democrático de escuta social. Conforme informação divulgada pelo órgão, as propostas foram construídas a partir de discussões realizadas nos últimos meses, nas comissões temáticas do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável.

Diversidade e Riqueza nas Propostas do Conselhão

O secretário-executivo do Conselhão, Olavo Noleto, explicou que as propostas foram guiadas pela pergunta: “Onde vai estar o Brasil daqui a dez anos?”. O debate abrangeu temas como envelhecimento populacional, empregos no interior e o impacto de novas tecnologias na empregabilidade. Noleto ressaltou a **riqueza da diversidade de opiniões** presentes no conselho.

“Os diferentes estão aqui [no Conselhão], o que é uma riqueza. Porque, no Brasil em que as diferenças são disputadas a tapa, aqui a gente está provando que as diferenças são possíveis”, refletiu Noleto, enfatizando o valor do pluralismo para a construção de um projeto de nação.

Setores Destacam Avanços e Apontam Desafios

Representantes de diversos setores apresentaram suas perspectivas. Eraí Maggi, do agronegócio, reconheceu medidas do governo que beneficiaram o setor, como o desenvolvimento de biotecnologias e a normatização de defensivos agrícolas. Ele também mencionou a ampliação do acesso ao crédito bancário para produtores rurais, com financiamentos de longo prazo que impulsionaram a produção e as exportações brasileiras.

A empresária Luiza Trajano comemorou a **redução da taxa de desemprego para 5,4%**, o menor patamar da série histórica, e a recente regulação das apostas esportivas (bets). Contudo, ela criticou a **alta taxa de juros**, que, segundo ela, prejudica a atividade econômica, e convocou os empresários a criarem um movimento de combate à violência contra as mulheres.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou dados positivos sobre a economia, como a **redução da informalidade**, o **aumento da média salarial** e a **diminuição recorde da desigualdade de renda**. Ele também comentou a saída do Brasil do Mapa da Fome e a redução da pobreza, prevendo a menor taxa de inflação da história. Haddad comparou a abordagem fiscal brasileira, que utiliza uma “chave de fenda” para correções, com a “motosserra” adotada pela Argentina.

Inovação, Trabalho e Inclusão no Debate

Nina da Hora, cientista de computação e pesquisadora em Inteligência Artificial, defendeu a **soberania digital tecnológica do Brasil**, com investimentos em softwares nacionais e soluções inovadoras desenvolvidas no país e em universidades públicas. Ela ressaltou que a iniciativa visa fortalecer a soberania nacional sem cair em isolacionismo ou tecnofobia.

Mônica Veloso, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, destacou conquistas dos trabalhadores, como a valorização do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda, que amplia a isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Ela estima que essa medida injete R$ 28 bilhões a mais nas mãos dos trabalhadores, impulsionando renda, consumo e empregos.

Veloso também cobrou foco nos aposentados em 2026 e a geração de empregos de qualidade, além do fim da escala 6×1, argumentando que o tempo livre dinamiza a economia. Ela ressaltou que políticas de enfrentamento às desigualdades sociais nos últimos três anos resultaram na redução da pobreza e na saída oficial do Brasil do Mapa da Fome.

Preto Zezé, cofundador da Central Única das Favelas (Cufa), defendeu a renovação do debate sobre questões urbanas e segurança pública, propondo intervenções integradas e não apenas focadas em policiamento. Ele também enfatizou a importância do debate econômico, citando que a favela produz uma economia de R$ 312 bilhões que muitas vezes passa ao largo do Estado.

Ivan Baron, ativista na luta anti-capacitista, levou ao Conselhão a pauta da inclusão de pessoas com deficiência no orçamento público, com foco na defesa do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e na prevenção de cortes no Ministério do Desenvolvimento Social.

Outras Entregas e Portfólios Apresentados

Além do documento principal, foram entregues ao presidente Lula o projeto Move Mundo, que coletou mensagens da comunidade científica da Amazônia para líderes globais na COP30. Foi apresentada também a Agenda Positiva do Agro 2025, com práticas e tecnologias para fortalecer a produção sustentável no setor.

Outra apresentação relevante foi o Portfólio De Investimentos Voltados à Transformação Ecológica no Brasil, organizado pelo Ministério da Fazenda. O portfólio detalha projetos públicos e privados e aplicações financeiras focadas em iniciativas com impacto ambiental positivo, como bioeconomia e energias renováveis.