Oceano Vira Gigante de Energia Limpa: Brasil Lança Centro Inovador para Explorar Ondas, Correntes e Calor em Projeto Promissor

Oceano como Aliado Estratégico: Brasil Investe Pesado em Energia Renovável Azul para Reduzir Emissões e Fortalecer a Transição Energética

Um projeto audacioso promete transformar o vasto potencial do oceano em uma fonte inesgotável de energia limpa para o Brasil. O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) anunciou a criação do Centro Temático de Energia Renovável no Oceano – Energia Azul, uma iniciativa que visa desenvolver e implementar quatro tecnologias inovadoras para a produção de energia renovável offshore, ou seja, em alto-mar.

O projeto ambicioso conta com um investimento significativo de cerca de R$ 15 milhões, obtido através de um edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O objetivo principal é claro: oferecer soluções industriais que possam **reduzir emissões em setores de difícil abatimento**, como plataformas de óleo e gás, produção de fertilizantes, siderurgia, transporte e a indústria do cimento.

A ideia é que unidades flutuantes, que atualmente dependem de turbinas movidas a gás natural, possam incorporar a energia limpa gerada diretamente do oceano, marcando um passo importante na descarbonização da economia brasileira. Conforme informações divulgadas pelo INPO, essa iniciativa posiciona o país na vanguarda da exploração de recursos renováveis marinhos.

Quatro Tecnologias Revolucionárias para a Energia Azul

O Centro de Energia Azul se concentrará no desenvolvimento de quatro frentes tecnológicas promissoras. A primeira é a **conversão da energia das ondas**, transformando o movimento constante dos mares em eletricidade. Em seguida, vem a exploração das **correntes de maré**, que prometem uma fonte de energia mais estável e previsível.

Outra tecnologia chave é a OTEC (Ocean Thermal Energy Conversion), que aproveita a **diferença de temperatura entre as águas superficiais e profundas do oceano** para gerar energia. Por fim, o centro também focará na **produção de hidrogênio verde**, utilizando a energia renovável offshore para realizar a eletrólise da água do mar dessalinizada.

Hidrogênio Verde: Solução para a Intermitência e Armazenamento de Energia

A produção de hidrogênio verde a partir da energia eólica offshore é vista como uma solução estratégica para superar o desafio da intermitência, um dos principais obstáculos para fontes como a solar e a eólica. O INPO destaca que essa tecnologia **permite armazenar energia na forma de hidrogênio**, garantindo maior estabilidade ao sistema elétrico nacional.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 250 gigawatts em projetos de eólica offshore em processo de licenciamento no Ibama. A implantação de apenas 20% desses projetos poderia adicionar 50 gigawatts à matriz elétrica brasileira, representando quase um quarto da capacidade instalada atual, segundo estimativas do instituto.

Capacitação e Projetos-Piloto para o Futuro da Energia Oceânica

O investimento de R$ 15 milhões destinará **R$ 4,3 milhões para bolsas de pesquisa**, beneficiando estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado em parceria com instituições de renome como UFRJ, UFPA, UFPE e FGV. Essa medida visa fortalecer a formação de especialistas e impulsionar a produção de conhecimento na área de energias oceânicas no Brasil.

O diretor-geral do INPO, Segen Estefen, ressalta o potencial estratégico da iniciativa. “A disponibilidade de recursos renováveis no oceano e a experiência brasileira em atividades offshore são diferenciais importantes. Podemos transformar o oceano em um aliado estratégico na transição energética, produzindo eletricidade, hidrogênio e água dessalinizada de forma sustentável”, afirma Estefen.

Cada uma das quatro tecnologias desenvolvidas passará por rigorosos testes em ambiente laboratorial e operacional, culminando na entrega de **projetos-piloto prontos para instalação no mar**. O Centro de Energia Azul atuará na fase intermediária de desenvolvimento tecnológico, viabilizando a prova de conceito e o detalhamento de projetos para aplicação em escala real, preparando o caminho para futuras aplicações comerciais em larga escala.

A turbina para aproveitamento de correntes de maré, por exemplo, foi projetada para operar tanto no oceano quanto em rios com fluxo contínuo. “Mesmo turbinas de pequeno porte podem alcançar alta capacidade instalada. Isso permite levar energia limpa e contínua a comunidades isoladas, solucionando um problema histórico de acesso à eletricidade”, conclui Estefen.