Câmara dos Deputados falha em pautas de igualdade racial, aponta ranking inédito com IA: veja os resultados

Uma pesquisa inovadora, divulgada nesta terça-feira (9), aponta um **baixo engajamento médio da Câmara dos Deputados** em pautas relacionadas à igualdade racial. O levantamento, denominado Ranking Igualdade Racial 2025, utilizou uma combinação de inteligência artificial e análise humana para avaliar o trabalho de 571 deputados federais.

Foram analisadas mais de 37 mil atividades legislativas, incluindo votos, discursos, pareceres e emendas, com o objetivo de mensurar o compromisso dos parlamentares com a promoção da igualdade racial no Brasil. Os resultados, no entanto, revelam um cenário preocupante.

A coordenadora de Advocacy do Instituto de Referência Negra Peregum, Ingrid Sampaio, destacou um ponto crítico da pesquisa: a **queda abrupta nas notas** dos deputados após os 50 primeiros colocados. Essa constatação sugere que o esforço de alguns poucos parlamentares precisa compensar a inércia da maioria.

Notas revelam engajamento incipiente e queda brusca

O Ranking Igualdade Racial 2025, resultado da parceria entre o Instituto de Referência Negra Peregum e a Fundação Tide Setubal, contou com o desenvolvimento de um algoritmo de IA pelo Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB). Os parlamentares recebem notas que variam de -10 a +10, baseadas em suas posições favoráveis ou contrárias a projetos que promovam a igualdade racial ou impactem a população negra.

Ingrid Sampaio explicou que, após os primeiros colocados, as notas caem de forma drástica para três. “É uma queda muito brusca, ela não é gradativa”, afirmou. Essa disparidade indica que o engajamento com a pauta racial é, em grande parte, **incipiente e concentrado em poucos indivíduos**.

Pauta racial desconfortável para o Congresso, aponta especialista

A especialista atribui o baixo engajamento ao fato de a pauta racial ser considerada um **tema desconfortável para o Congresso Nacional**. “É uma decisão política que a pauta não avance. É um tema espinhoso porque obriga a reconhecer a responsabilidade que a gente tem como país de curar essa chaga e andar para frente”, declarou Sampaio.

Historicamente, o movimento negro brasileiro luta por políticas públicas que visem reduzir as desigualdades. Dados do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra) mostram que a renda de pessoas negras corresponde, em média, a apenas 58,3% da renda das pessoas brancas, evidenciando a **urgência de ações efetivas**.

Representatividade impulsiona a pauta racial no Legislativo

A pesquisa também aponta que **parlamentares negros, mulheres e indígenas são os principais motores** das pautas raciais na Câmara. Eles demonstram maior atuação em votações, discursos, emendas e pareceres. Mesmo representando apenas 20% da Câmara, as mulheres ocupam uma parcela significativa das primeiras posições no ranking, o que reforça a importância da pluralidade na formulação de políticas públicas.

“Isso comprova, com dados, que a representatividade faz diferença”, ressaltou Ingrid Sampaio. A presença de mulheres e pessoas não brancas no Congresso Nacional, segundo ela, **influencia diretamente na qualificação dos debates** e na criação de políticas mais alinhadas às necessidades da população brasileira, demonstrando que a diversidade de vivências é fundamental para o avanço da igualdade racial.

O levantamento completo, que também contou com a participação do Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa (Gemaa) da UERJ, será celebrado com uma premiação aos parlamentares que mais se destacaram na defesa de pautas para igualdade racial.