Polícia Federal assegura imparcialidade em investigações sobre desvios em emendas parlamentares
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou enfaticamente que a instituição não considera a “estatura política de quem quer que seja” ao investigar desvios em emendas parlamentares. Segundo ele, o foco é apurar “todos os elos” relacionados à Operação Transparência, que visa combater fraudes no chamado “orçamento secreto”.
A PF se compromete a investigar todas as etapas do processo, desde a origem até o destino dos recursos, independentemente do envolvimento de parlamentares ou outras figuras públicas. A declaração foi feita durante um café da manhã com jornalistas em Brasília, onde Rodrigues apresentou um balanço das atividades da corporação.
A Operação Transparência, deflagrada na última sexta-feira (12), investiga o uso de emendas que permitiam o desvio de recursos, dificultando a identificação dos responsáveis. A investigação principal recai sobre Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, servidora do Legislativo próxima ao deputado Arthur Lira, que presidiu a Câmara durante o período de maior uso dessas emendas.
Foco na investigação, sem distinção de poder
Rodrigues reafirmou que a Polícia Federal atua com “serenidade, seriedade e responsabilidade”, apurando a participação de qualquer indivíduo envolvido. “Não estamos olhando para a estatura política, econômica, cultural, social”, afirmou o diretor, ressaltando a independência da corporação. Ele criticou a “fulanização” das investigações, que muitas vezes busca direcionar a culpa para indivíduos específicos, em vez de analisar o sistema como um todo.
MPF amplia análise e PF segue firme contra pressões
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou buscas e apreensões na Câmara dos Deputados e na residência de “Tuca”, indicando uma atuação “contínua, sistemática e estruturada” na organização e liberação do orçamento secreto. Rodrigues assegurou que a PF permanece “inabalável a pressões políticas de quem quer que seja”, garantindo a integridade das investigações.
Diálogo entre Legislativo e Executivo na segurança pública
Durante o encontro, Andrei Rodrigues também aproveitou para fazer um apelo aos legisladores, pedindo que a postura de combate ao crime organizado se reflita nas ações legislativas. “Não adianta ser duro no crime organizado, acabar com saidinha, e ao mesmo tempo não aprovar projetos importantes que tramitam no Congresso Nacional. Precisamos que o enfrentamento seja responsabilidade de todos”, pontuou o diretor.
Instrumento legítimo, uso responsável
O diretor-geral fez questão de ressaltar que as investigações sobre emendas parlamentares não configuram uma “caça às bruxas” e que a PF se preocupa em “não criminalizar a emenda em si nem a atividade política”. Ele concluiu enfatizando que “a emenda [parlamentar] é um instrumento legítimo, legal e que precisa ser utilizado com adequação às normas”, reforçando a importância do uso correto desses recursos.