Ministra Esther Dweck defende estatais como patrimônio e contraponto à privatização, citando investimentos e serviços essenciais
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, apresentou uma defesa enfática das empresas estatais, classificando-as como “patrimônio do povo brasileiro” e “ativo para o desenvolvimento sustentável”. A declaração foi feita durante o evento “Democracia e Direitos Humanos: Empresas Juntas por um Brasil Mais Igualitário”, realizado no Rio de Janeiro.
Dweck rebateu as críticas recorrentes sobre a existência de estatais, argumentando que, em muitos cenários, a privatização pode resultar na piora da qualidade dos serviços prestados à população. A ministra destacou a importância histórica e atual dessas empresas para a infraestrutura, integração regional, geração de empregos e soberania nacional.
Segundo a ministra, as estatais foram fundamentais para a construção de infraestrutura e para levar serviços essenciais a locais onde a iniciativa privada, focada apenas no lucro, jamais chegaria. “Sem elas, muitos direitos e serviços e oportunidades simplesmente não existiriam”, afirmou Dweck, conforme divulgado pela Agência Brasil.
Estatais como pilares do desenvolvimento e soberania
A ministra ressaltou que as empresas estatais desempenham um papel vital na **segurança energética**, na **pesquisa e inovação aplicadas**, e na oferta de **crédito e financiamento a longo prazo**. Ela enfatizou que essas companhias sustentam a capacidade estratégica do país e garantem serviços que são direitos básicos para os cidadãos.
Dweck criticou a visão de que a privatização é sempre a solução, lembrando o caso da Enel em São Paulo, onde a demora no restabelecimento da energia após chuvas fortes gerou insatisfação e transtornos, especialmente para a população de baixa renda. “Imagina em um bairro de classe média e baixa, pessoas ficarem sem geladeira por dois dias, por exemplo, tudo que elas têm. Uma situação extremamente grave”, alertou.
Correios: Reestruturação em andamento para superar crise
Abordando a situação dos Correios, a ministra reconheceu as dificuldades financeiras da empresa, atribuindo-as a um “setor que no mundo inteiro passa por um problema”. Ela lembrou que os Correios têm a obrigação constitucional de universalizar o serviço postal, o que implica em custos elevados para atender a todos os municípios brasileiros.
“Vamos aprovar em breve um plano de reestruturação para a empresa para que ela possa repensar a sua atuação”, indicou Dweck. A ministra também apontou que governos anteriores, ao incluírem os Correios em listas de privatização, inibiram investimentos necessários para a reestruturação.
Potencial de investimento e crítica à má interpretação de dados
Contrariando avaliações negativas, Dweck destacou o potencial de investimento das estatais. Segundo dados do Banco Central, 23 estatais investiram R$ 12,5 bilhões em 2,5 anos de governo, um valor quase seis vezes superior aos R$ 2,1 bilhões investidos no mesmo período do governo anterior. Ela criticou analistas que confundem “déficit com prejuízo”, explicando que uma empresa pode ter lucro e, ao mesmo tempo, apresentar déficit contábil fiscal ao utilizar recursos de caixa para investimentos.
Pacto por um Brasil mais igualitário e o papel das empresas privadas
O evento no BNDES reuniu representantes do setor público, empresas públicas e privadas, e organizações da sociedade civil. A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, defendeu um pacto entre empresas e direitos humanos, afirmando: “Nós não somos inimigos das empresas. A gente quer as empresas do nosso lado como agente de transformação, nos ajudando a tecer um mundo melhor”.
Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza, apresentou iniciativas da empresa em prol da diversidade, como o programa de trainee voltado para pessoas negras, destacando que a iniciativa, apesar de críticas iniciais, foi reconhecida internacionalmente. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, repudiou a proibição de cotas para negros em universidades de Santa Catarina, reforçando a importância de criar oportunidades para combater a desigualdade.