Selic em Janeiro: Copom Decide Futuro dos Juros com Inflação em Destaque e Dólar em Queda

Copom em Foco: Decisão Crucial sobre a Taxa Selic em Meio a Cenário Econômico Complexo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (28) para sua primeira decisão do ano sobre a Taxa Selic. A reunião ocorre em um momento de desaceleração da inflação, mas com pressões em setores como o de serviços, o que gera atenção especial dos analistas de mercado.

A expectativa geral, mesmo com a recente queda do dólar, é pela **manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano**, seu maior patamar em quase duas décadas. A Selic não é alterada desde agosto de 2023, após um ciclo de sete elevações consecutivas.

A decisão do Copom é aguardada com grande expectativa, pois o comitê estará com um quórum reduzido. Os mandatos de dois diretores importantes expiram no fim de 2025, e as indicações de seus substitutos só devem ser encaminhadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o retorno do Congresso Nacional em fevereiro. Conforme divulgado na ata da última reunião em dezembro, o Copom sinalizou que a Selic deve permanecer em 15% por um período prolongado, visando garantir a convergência da inflação à meta.

Inflação e Incertezas Pressionam a Decisão do Copom

A ata da última reunião do Copom destacou a persistência de **elevada incerteza**, exigindo cautela na condução da política monetária. No cenário interno, o comportamento dos preços, especialmente no setor de serviços, continua a exercer pressão sobre a inflação, apesar da desaceleração geral da economia. Essa dualidade entre a desaceleração econômica e a persistência da inflação em alguns setores é um dos principais dilemas para a definição da Taxa Selic.

A prévia da inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), mostrou uma alta de apenas 0,2% em outubro, acumulando 4,5% em 12 meses, retornando ao teto da meta. O IPCA cheio de novembro será divulgado no mesmo dia da reunião do Copom.

A pesquisa semanal do Boletim Focus, que ouve analistas de mercado, indica que a taxa básica de juros deve permanecer em 15% ao ano até março. Contudo, a recente queda do dólar, que voltou a rondar os R$ 5,20, **aumentou as chances de uma redução na Selic já em janeiro**, embora essa possibilidade ainda seja vista com cautela por parte do mercado.

O Que é a Taxa Selic e Como Ela Afeta a Economia

A Taxa Selic é a **taxa básica de juros da economia brasileira**. Ela é utilizada como referência para as demais taxas de juros do mercado e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O BC atua diariamente comprando e vendendo títulos públicos federais para manter a Selic próxima ao valor definido pelo Copom.

Quando o Copom decide **aumentar a Taxa Selic**, o objetivo é conter a demanda aquecida, tornando o crédito mais caro e estimulando a poupança. Essa medida pode, por outro lado, dificultar a expansão da economia. Por outro lado, a **redução da Selic** tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, o que pode impulsionar a atividade econômica, mas também representa um risco para o controle inflacionário.

Nova Meta de Inflação Contínua e Perspectivas para 2025

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota um novo sistema de **meta contínua de inflação**. A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, situando os limites entre 1,5% e 4,5%. Neste modelo, a meta é apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses.

Segundo o último Boletim Focus, a estimativa de inflação para 2025 caiu para 4,4%, ficando abaixo do teto da meta. O Banco Central, em seu Relatório de Política Monetária divulgado em dezembro, manteve a previsão de que o IPCA termine 2026 em 3,5%, mas essa projeção deve ser revista. A próxima edição deste relatório, que substitui o Relatório de Inflação, será divulgada no final de março, oferecendo novas perspectivas sobre as projeções de inflação e a trajetória da política monetária.