Gestoras revisam projeção da Selic para 11,8% em 2026 com câmbio favorável

Câmbio forte e inflação sob controle levam gestoras a prever Selic menor em 2026

As principais gestoras do mercado financeiro revisaram suas projeções para a taxa Selic ao final de 2026. A expectativa agora é de que os juros básicos da economia brasileira terminem o período em 11,8%, uma queda significativa em relação aos 15% projetados no início de 2025.

Essa mudança de cenário é impulsionada pela melhora do ambiente externo e pela valorização do real, que tem ajudado a conter as pressões inflacionárias. A projeção atual das gestoras está mais alinhada com a mediana do mercado, que aponta para 12,5%.

As informações são de levantamento da XP, que aponta para um otimismo crescente entre os gestores de fundos. A percepção é que o choque de custos inflacionários foi absorvido pela força da moeda brasileira.

Inflação em foco: projeções recuam com câmbio valorizado

As expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 também foram ajustadas para baixo. Após atingir um pico de 4,7% em meados de 2025, as projeções agora apontam para 4,0%.

Esse movimento consolida a visão de que a valorização cambial tem sido um fator importante na moderação da inflação, alinhando as expectativas dos gestores com as projeções oficiais do Boletim Focus.

Valorização do real e “Kit Brasil” como estratégia dominante

A confiança na moeda local se reflete no posicionamento das gestoras. Atualmente, 72% delas estão “compradas” em real, apostando em sua valorização, um aumento expressivo em relação aos 33% registrados no início de 2025.

A combinação de juros ainda em patamares elevados com um real fortalecido, conhecida como “Kit Brasil”, tornou-se a estratégia predominante entre os fundos multimercados macro, segundo a pesquisa da XP.

Apetite a risco e cautela para o investidor

O novo cenário impulsionou a performance dos fundos multimercados, que voltaram a apresentar resultados superiores ao CDI no curto prazo. Com maior clareza sobre a trajetória dos juros e o comportamento do câmbio, as gestoras têm aumentado a convicção em suas teses de investimento.

Segundo a XP, observa-se um aumento no “apetite a risco”, com gestores migrando de posições defensivas para estratégias mais direcionais. No entanto, a corretora reitera a importância da cautela para o investidor pessoa física, lembrando que investimentos no mercado financeiro estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido.