Copom mantém Selic em 15% e setor imobiliário reage com cobranças e projeções
A decisão do Copom de manter a taxa Selic em 15% ao ano, em sua primeira reunião de 2026, frustrou parte do setor imobiliário, que esperava um ciclo mais acelerado de queda nos juros. Embora a taxa elevada seja vista como um obstáculo ao crescimento, associações projetam algum alívio monetário ao longo do ano.
Enquanto a ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) criticou o patamar atual, a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) manteve um discurso otimista. O setor imobiliário, após um período de recuperação, depende de crédito mais acessível para sustentar sua expansão.
O mercado imobiliário, que vinha se recuperando após a pandemia e os choques de juros, encontrou fôlego em programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida e em nichos de maior renda. O aumento nos financiamentos, impulsionado por recursos do SBPE e FGTS, contudo, esbarra na Selic alta, levando o setor a clamar por uma flexibilização monetária consistente. As informações são do portal InfoMoney.
ABRAINC critica juros elevados e aponta impacto nas contas públicas
A ABRAINC classificou os 15% da Selic como um nível “excessivamente elevado e incompatível com as necessidades de crescimento da economia brasileira”. A entidade ressaltou o peso dos juros no orçamento nacional, lembrando que em 2025 o Brasil destinou cerca de 8,5% do PIB ao pagamento de juros da dívida pública, segundo ranking do FMI.
A associação argumenta que juros persistentemente altos restringem o crédito, desestimulam investimentos produtivos e impactam diretamente setores intensivos em mão de obra, como a construção civil. A ABRAINC estima que cada ponto percentual de redução na Selic poderia gerar uma economia anual de R$ 55 bilhões a R$ 60 bilhões em despesas com juros, recursos que poderiam ser direcionados para investimento e geração de empregos.
Abecip mantém otimismo e projeta crescimento no crédito imobiliário
Em contrapartida, a Abecip mantém uma visão positiva para o mercado de crédito imobiliário em 2026. A presidente da entidade, Priscilla Ciolli, afirmou que a decisão do Banco Central não alterou as projeções de queda da Selic no segundo semestre do ano.
“Seguimos otimistas, com a perspectiva de crescimento do setor em 16% neste ano”, declarou Ciolli. A Abecip projeta um aumento de 16% nas concessões de financiamento imobiliário ao longo de 2026, sinalizando confiança na recuperação do setor apesar do cenário de juros elevados.