Preços elevados impactam o consumo de café no Brasil em 2025, mas setor industrial registra alta no faturamento
A escalada dos preços da matéria-prima do café, iniciada em 2021, resultou em uma leve queda de 2,31% no consumo interno brasileiro em 2025. Contudo, o cenário é encarado com otimismo pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), que destaca a **resiliência do café para o brasileiro**, que demonstra não abrir mão da bebida, mesmo diante de aumentos expressivos.
Apesar da redução no volume consumido, o faturamento da indústria de café cresceu impressionantes 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões. Esse aumento é atribuído principalmente ao **reajuste dos preços nas gôndolas**, refletindo os custos mais altos da matéria-prima nos anos anteriores.
Conforme informação divulgada pela Abic, o Brasil, mesmo com a recente queda, consolida sua posição como o **segundo maior consumidor de café do mundo**, atrás apenas dos Estados Unidos. No consumo per capita, o país lidera, com cada brasileiro consumindo em média 1,4 mil xícaras anualmente.
Expectativas de Estabilidade nos Preços em 2026
Para 2026, a Abic projeta um cenário de **maior estabilidade nos preços do café**, impulsionado pela expectativa de uma safra robusta. No entanto, uma redução significativa no preço para o consumidor só deve ocorrer daqui a duas safras, devido aos **estoques globais ainda baixos**.
“Os estoques globais nos países produtores para os consumidores são historicamente baixos. Então, quando essa safra chegar, se ela der realmente o número que se espera e com algum conforto, teremos menor volatilidade nos preços”, avalia Pavel, presidente da Abic.
A entidade aposta em **promoções estratégicas** para manter o consumidor engajado enquanto os preços não sofrem uma queda mais expressiva. A expectativa é que a redução mais substancial só se concretize após a entrada de duas safras consecutivas com boa produção, a fim de normalizar os níveis de estoque mundial.
Desafios Tarifários com os Estados Unidos
A cadeia produtiva do café ainda enfrenta desafios relacionados a **tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao café solúvel**. Embora a tarifa de 40% sobre o café em grão tenha sido suspensa em novembro do ano passado, o café solúvel continua sendo taxado.
A Abic informa que a questão da taxação do café solúvel segue em discussão, com a expectativa de que a medida seja revertida em poucos meses, o que seria um alívio importante para as exportações brasileiras desse segmento.
Acordo Mercosul-União Europeia Abre Novas Perspectivas
A assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia é vista com **otimismo pela indústria brasileira de café**. O Brasil, como maior produtor mundial, com 40% da produção global, tem grandes oportunidades de expandir sua participação no mercado europeu.
O novo acordo traz consigo desafios e perspectivas positivas, reforçando a importância estratégica do Brasil no cenário cafeeiro mundial e abrindo portas para novas negociações e crescimento do setor, especialmente para o café solúvel que busca superar barreiras tarifárias.