Passagem de Rafah será reaberta com controle de segurança e supervisão europeia
Israel informou que a passagem de Rafah, ponto crucial de entrada e saída da Faixa de Gaza, será reaberta neste domingo, 30 de janeiro, em ambos os sentidos. A decisão marca um passo significativo para a implementação do plano de cessar-fogo proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
O órgão militar israelense COGAT (Coordenação das Atividades do Governo nos Territórios) confirmou em comunicado que haverá uma “movimentação limitada de pessoas” pela passagem. A reabertura visa facilitar a saída de feridos e o retorno de palestinos que fugiram do território.
A notícia foi divulgada após declarações do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e de Ali Shaath, chefe do comitê administrativo palestino em Gaza, indicando a iminente reabertura. As informações foram divulgadas pelo Estadão Conteúdo.
Detalhes da operação e histórico da passagem
Segundo o COGAT, tanto Israel quanto o Egito realizarão verificações de segurança nos indivíduos que transitarem pela passagem. A supervisão ficará a cargo de agentes da patrulha de fronteira da União Europeia. Palestinos que saem e retornam também passarão por checagens de Israel no corredor adjacente, que permanece sob controle militar israelense.
A passagem de Rafah esteve praticamente fechada desde maio de 2024, quando Israel a assumiu sob o argumento de impedir o contrabando de armas pelo Hamas. Ela teve uma breve reabertura para a retirada de pacientes durante um cessar-fogo no início de 2025.
Motivações e contexto da decisão
A resistência inicial de Israel à reabertura foi superada após a recuperação dos restos mortais de um refém em Gaza, em 26 de janeiro. Netanyahu anunciou no dia seguinte que a passagem seria reaberta de forma controlada. O foco de Israel, segundo o primeiro-ministro, é o desarmamento do Hamas e a destruição de túneis.
A reabertura é considerada um dos primeiros passos da segunda fase do acordo de cessar-fogo mediado pelos EUA. O acordo abrange questões complexas como a desmilitarização de Gaza e a formação de um governo alternativo para a reconstrução do enclave.
Situação humanitária e expectativas
Milhares de palestinos em Gaza buscam deixar o território devastado pela guerra, enquanto dezenas de milhares que fugiram querem retornar. Inicialmente, dezenas de palestinos serão autorizados a passar, com prioridade para os retirados por motivos médicos e aqueles que fugiram dos combates mais intensos.
O sistema de saúde de Gaza foi gravemente afetado pela guerra, com cerca de 20 mil palestinos doentes e feridos necessitando de tratamento fora do território, segundo o Ministério da Saúde local. Historicamente, crianças, pacientes com câncer e pessoas com traumas físicos tiveram prioridade nas retiradas médicas.