Futebol feminino brasileiro conquista independência e 50% de patrocínios exclusivos em 2025

Marcas investem diretamente no esporte, impulsionando crescimento e maturidade comercial

O futebol feminino no Brasil demonstra um salto significativo em sua relevância comercial, deixando de ser apenas uma extensão do esporte masculino para se consolidar como um mercado atraente para marcas. Os dados mais recentes revelam uma independência crescente em patrocínios.

Em 2025, 92 empresas estamparam suas marcas nos uniformes das 16 equipes do Brasileirão Feminino. O destaque fica para o índice de 50% de parcerias exclusivas, indicando um investimento direto na modalidade, sem vínculo com os times masculinos dos mesmos clubes.

Esse cenário, segundo o Mapa do Patrocínio de uniformes de futebol no Brasil, produzido pelo Ibope Repucom, sinaliza uma maturidade comercial onde empresas enxergam valor próprio e retorno direcionado ao investir especificamente no futebol feminino.

Diversidade de setores e compromisso de longo prazo impulsionam o crescimento

O segmento financeiro lidera o investimento no futebol feminino, com 13 empresas, seguido de perto por casas de apostas (12), saúde (8) e tecnologia/aplicativos (6). A diversidade de setores interessados, com 49 marcas de outras áreas, reforça o amplo leque de investidores.

Um indicador importante é o baixo número de acordos pontuais. Das 92 marcas presentes, apenas duas tiveram ativações de curto prazo, o que aponta para um compromisso maior das empresas em projetos de médio e longo prazo. Isso consolida o futebol feminino como um ativo consistente de comunicação.

Diego Bittencourt, CMO da Start Bet, reforça essa visão: “O futebol feminino brasileiro está passando por uma fase de ampliação, não apenas no desempenho das atletas e nas conquistas em campo, mas também no aumento expressivo da visibilidade, da estrutura e da presença midiática”.

Tendência global e Copa do Mundo de 2027 como impulsionadores

A consolidação do futebol feminino como vitrine de negócios é evidenciada por casos como o da Galera Bet, pioneira em patrocínios diretos, e a rápida expansão de marcas envolvidas no Brasileirão Feminino, passando de uma para mais de 15 em pouco tempo.

Renê Salviano, CEO da Heatmap, destaca que “o aumento da receita da elite do futebol feminino global confirma que a modalidade entrou definitivamente no radar econômico do esporte”. Este movimento acompanha uma tendência global, com projeções da Nielsen Sports indicando que o futebol feminino estará entre os cinco esportes mais consumidos do mundo até 2030.

A proximidade da Copa do Mundo feminina de 2027, que será sediada no Brasil, é outro fator crucial. Especialistas apontam que a maior visibilidade em transmissões de TV aberta, fechada e streaming acelera a independência comercial do esporte.

Danielle Vilhena, diretora de operações e projetos de marcas da Agência End to End, afirma que “o crescimento da visibilidade do futebol feminino já se reflete diretamente na consolidação dos patrocínios, reforçando a maturidade comercial da modalidade”.

Camila Estefano, gerente geral do programa social Estrelas, conclui que “o crescimento dos patrocínios no futebol feminino é um sinal claro de que o mercado reconhece o potencial da modalidade como um ativo valioso e sustentável”, especialmente com a Copa do Mundo de 2027 impulsionando um legado para o esporte no país.