Goldman Sachs aponta “aversão a controlar gastos” no governo brasileiro

Banco de investimento alerta para cenário fiscal e projeções econômicas para o Brasil

O déficit fiscal do setor público brasileiro ultrapassou 8% do Produto Interno Bruto (PIB) e deve permanecer nesse patamar nos próximos anos, segundo um relatório divulgado pelo Goldman Sachs. A análise surge após a publicação de estatísticas fiscais pelo Banco Central.

O déficit fiscal total alcançou 8,34% do PIB, com um resultado primário consolidado negativo em 0,43% do PIB em 12 meses. Apesar de um superávit registrado em dezembro, o montante foi inferior ao do mesmo período do ano anterior, segundo os dados.

As informações são do portal InfoMoney, que consultou o relatório do Goldman Sachs.

Credibilidade fiscal comprometida, aponta banco

Analistas do Goldman Sachs, liderados por Alberto Ramos, afirmam que uma postura fiscal pró-cíclica e a relutância em controlar gastos têm prejudicado a credibilidade das metas fiscais do governo. Essa situação, segundo o banco, contribuiu para uma economia superaquecida.

A instituição financeira avalia que o arcabouço fiscal atual, considerado fraco e pouco confiável, elevou os prêmios de risco no país. Além disso, dificultou o controle das expectativas de inflação no curto e médio prazos.

Dívida bruta em trajetória ascendente

A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 78,7% do PIB, um aumento significativo em relação aos 71,7% registrados no final de 2022. A tendência, segundo o Goldman Sachs, é de continuidade dessa alta.

Considerando o critério do FMI, que inclui títulos na carteira do Banco Central, o indicador chega a 93,4% do PIB. O banco prevê que o resultado primário permanecerá deficitário no futuro previsível, mantendo a dívida em trajetória ascendente.

Superávits primários acima de 2% seriam necessários

Para que a dívida pública entre em um caminho de queda estrutural, o Goldman Sachs estima que seriam necessários superávits primários superiores a 2% do PIB. O banco considera esse cenário “altamente improvável no curto prazo”.

Mercado de trabalho e cautela na política monetária

O relatório também aborda o mercado de trabalho, destacando que a taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, aliada ao crescimento real dos salários, sustenta pressões de custos, especialmente em setores que demandam muita mão de obra.

Diante desse quadro, o Goldman Sachs espera uma postura cautelosa por parte do Banco Central na condução da política monetária no curto prazo.