Atraso escolar em crianças de 6 a 10 anos preocupa após a pandemia, aponta IBGE
O cenário educacional brasileiro para crianças de 6 a 10 anos apresenta um desafio persistente: o atraso escolar. Embora os números de 2024 mostrem uma ligeira estabilidade em comparação com o ano anterior, eles ainda ficam abaixo dos índices registrados antes da pandemia de covid-19.
Essa constatação, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através do levantamento Síntese de Indicadores Sociais, lança luz sobre os impactos duradouros da crise sanitária no percurso formativo dos mais jovens.
A análise detalhada revela que, em 2024, 90,7% das crianças nessa faixa etária estavam na série adequada para sua idade. Este índice é muito próximo aos 90,8% de 2023, mas significativamente inferior aos 95,7% observados em 2019, antes da interrupção causada pela pandemia. Conforme informação divulgada pelo IBGE, para medir o atraso escolar, o instituto utiliza a taxa ajustada de frequência escolar líquida (Tafel).
Pandemia é principal causa do atraso na entrada escolar
Luanda Chaves Botelho, analista do IBGE, explica que o atraso escolar observado é uma consequência direta da pandemia. O período de restrições e o fechamento das escolas levaram a um **atraso na entrada das crianças na pré-escola**, o que, por sua vez, impactou o ingresso no ensino fundamental.
A obrigatoriedade da frequência na pré-escola a partir dos 4 anos, para crianças que completam essa idade até 31 de março, demonstra a importância dessa etapa para a continuidade da trajetória educacional.
Outras faixas etárias e metas educacionais
O IBGE também analisou outras faixas etárias. No grupo de 11 a 14 anos, a proporção de alunos na série adequada em 2024 foi de 89,1%, um índice que já supera o patamar pré-pandemia (87,4%). No entanto, este número ainda está distante da meta de 95% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) para jovens de 14 anos com o ensino fundamental concluído.
Na educação infantil, a frequência à escola de crianças de até 5 anos também está fora das metas do PNE. No grupo de até três anos, apenas 39,7% frequentavam creches em 2024, enquanto a meta é de 50%. Apesar de não atingir o objetivo, este é o **maior percentual já registrado pela pesquisa**, iniciada em 2016.
Opção dos pais e falta de vagas impactam frequência
Para as crianças até 3 anos que estão fora da escola, a principal razão apontada é a **opção dos pais ou responsáveis**, representando 59,9%. Em seguida, aparece a **falta de vagas ou de escolas acessíveis**, com 33,3%.
Já na faixa de 4 a 5 anos, 93,5% estavam na pré-escola em 2024, o maior patamar desde 2016. Contudo, a meta de universalização do PNE ainda não foi alcançada. Entre as crianças dessa idade que não frequentam a escola, a **opção dos pais ou responsáveis** também lidera, com 48,1%, seguida pela **falta de vagas ou escolas adequadas** (39,4%).
Anos de estudo e desigualdades persistentes
A Síntese de Indicadores Sociais também aborda a média de anos de estudo. Entre jovens de 18 a 29 anos, a média em 2024 foi de 11,9 anos, aproximando-se da meta de 12 anos do PNE. No entanto, a análise destaca **desigualdades significativas**, com jovens brancos apresentando mais anos de estudo (12,5) do que pretos e pardos (11,5).
As disparidades também se refletem na renda, onde jovens com os menores rendimentos domiciliares per capita acumulam 10,6 anos de estudo, enquanto os de maiores rendimentos chegam a 13,5 anos. Esses dados sublinham a necessidade de políticas públicas que combatam o atraso escolar e promovam a igualdade de oportunidades na educação brasileira.