Atividade econômica do Brasil desacelera em outubro com queda de 0,2%, Banco Central mantém Selic em 15% e mercado aguarda cortes de juros

Atividade econômica brasileira em outubro

A atividade econômica do Brasil registrou uma leve contração em outubro de 2024, apresentando uma queda de 0,2% em relação ao mês anterior, de acordo com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). Os dados dessazonalizados, que ajustam as variações para eliminar influências temporárias, indicam um cenário de moderação no ritmo de crescimento do país.

Apesar do recuo mensal, a comparação com o mesmo período do ano anterior, outubro de 2023, mostra uma variação positiva de 0,4%. No acumulado do ano de 2024, o IBC-Br registrou uma alta de 2,4%, e em um período de 12 meses, a elevação foi de 2,5%. Esses números fornecem um panorama mais amplo do desempenho da economia brasileira.

O IBC-Br é uma ferramenta fundamental para o Banco Central, auxiliando o Comitê de Política Monetária (Copom) na tomada de decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. O índice abrange informações cruciais sobre os setores da indústria, comércio, serviços e agropecuária, além do volume de impostos arrecadados, oferecendo uma visão abrangente da saúde econômica do país.

Selic segue em 15% e mercado na expectativa

A taxa Selic, que atualmente se encontra em 15% ao ano, seu nível mais alto desde julho de 2006, foi mantida sem alterações pela quarta vez consecutiva na última reunião do Copom. A decisão reflete a estratégia do Banco Central de manter a cautela em sua política monetária, diante de um cenário de **grande incerteza econômica**.

O Copom comunicou que a intenção é manter a Selic neste patamar por um período prolongado, aguardando maior clareza sobre o futuro da economia e da inflação. A taxa começou a ser elevada em setembro de 2023, após atingir 10,5% ao ano em maio do mesmo ano, e chegou aos atuais 15% em junho de 2024, permanecendo estável desde então.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para o controle da inflação. Quando os juros são elevados, o crédito se torna mais caro, desestimulando o consumo e a produção, o que contribui para conter a alta de preços. Por outro lado, juros mais baixos tendem a baratear o crédito, incentivando a expansão da atividade econômica, mas podendo gerar pressões inflacionárias.

Inflação sob controle e projeções econômicas

A inflação ao consumidor, medida pelo IPCA, apresentou uma alta de 0,18% em novembro, após registrar 0,09% em outubro. Com este resultado, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,46%, mantendo-se dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 1,5% a 4,5%. Esse controle inflacionário, aliado à moderação no crescimento da atividade econômica, como demonstrado pelo IBC-Br, justificou a manutenção da Selic em patamar elevado.

O Banco Central, no entanto, não forneceu indicativos sobre quando poderá iniciar um ciclo de cortes na taxa de juros. A prioridade, segundo o comunicado oficial, é a **cautela na política monetária**, dada a persistência da incerteza no cenário econômico.

IBC-Br vs. PIB: Entendendo as diferenças

É importante notar que o IBC-Br, divulgado mensalmente, utiliza uma metodologia diferente daquela empregada para calcular o Produto Interno Bruto (PIB), que é o indicador oficial da economia brasileira, divulgado pelo IBGE. Embora o IBC-Br contribua para a formulação da política monetária, ele **não deve ser considerado uma prévia exata do PIB**.

O PIB, por sua vez, representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país. No segundo trimestre de 2024, a economia brasileira mostrou crescimento, impulsionada pelos setores de serviços e indústria, com uma expansão de 0,4%. Em 2023, o PIB fechou o ano com alta de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento e a maior expansão desde 2021.