Bloco de centro se articula para isolar o PL de Bolsonaro em SC após descontentamentos
A relação entre partidos de centro em Santa Catarina e o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, azedou. Insatisfações acumuladas com o governador Jorginho Mello (PL) e com as movimentações de Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado, estão levando MDB, PSD, União Brasil e PP a cogitar uma aliança eleitoral para isolar a sigla bolsonarista nas disputas estaduais.
A decisão do MDB de deixar a base de apoio de Jorginho Mello, após ser preterido na escolha do vice-governador, foi o estopim para a articulação. O partido busca agora um projeto próprio, costurando acordos com outras legendas de centro que compartilham descontentamentos com o atual governo e com a força do PL.
Essas movimentações ocorrem em meio a um cenário de indefinição e disputas internas no campo da direita e centro-direita catarinense, segundo informações divulgadas pela Agência O Globo.
MDB lidera articulação contra o PL em Santa Catarina
O MDB, que se sentiu deixado de lado pelo governador Jorginho Mello, está liderando uma aproximação com PSD, União Brasil e PP. O objetivo é formar um bloco coeso que possa apresentar uma alternativa ao PL nas eleições estaduais. A saída do MDB da base de Mello ocorreu após o governador anunciar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como seu candidato a vice, contrariando expectativas anteriores.
“A opção do governador é uma escolha dele. Nós devemos ter um projeto próprio, e lá na frente vamos decidir um caminho. Essa união (entre os partidos) não pode ser descartada”, afirmou Carlos Chiodini, presidente do diretório catarinense do MDB. Chiodini, que era cotado para ser vice, deixou a Secretaria Estadual de Agricultura após o desfecho.
Aliança de centro aposta na capilaridade e busca alternativa a Carlos Bolsonaro
A união entre MDB, PSD, União Brasil e PP visa explorar a força eleitoral conjunta dessas siglas. Juntos, os quatro partidos controlam 174 das 295 prefeituras catarinenses, demonstrando uma capilaridade significativa no estado. Essa força combinada poderia viabilizar a candidatura de João Rodrigues (PSD), prefeito de Chapecó, ao governo estadual.
O PSD vê com bons olhos a possibilidade de acordo. “Faremos o movimento necessário para a eleição, na construção de um projeto alternativo para Santa Catarina. A escolha de Jorginho traz mais prejuízos do que benefícios para ele”, declarou Eron Giordani, líder estadual do PSD. A federação União-PP, por sua vez, se irritou com um suposto recuo de Jorginho em apoiar a reeleição do senador Esperidião Amin (PP) e se mostra disposta a apoiar Rodrigues.
“Se ele não mantiver esse compromisso com o senador Esperidião, nós iremos caminhar com o PSD, isso é fato”, afirmou o deputado federal Fabio Schiochet (União-SC). Ele também avalia que uma candidatura de Rodrigues teria mais apelo no segundo turno.
Descontentamento com promessa quebrada e tensões internas no PL
O descontentamento do MDB e de parte do União Brasil e PP com Jorginho Mello se intensificou após o governador ter sinalizado previamente um acordo para a vice-governadoria com o MDB. Em outubro do ano passado, Mello chegou a afirmar que a chapa seria definida em conjunto com o partido. A escolha por Adriano Silva, do Novo, pegou muitos de surpresa.
A proximidade de Mello com o MDB também gerou incômodo interno no PL e entre apoiadores de Bolsonaro. Em fevereiro de 2025, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) questionou publicamente o critério para a aproximação, insinuando que poderia ser um alinhamento com o governo Lula.
A formação de uma aliança entre os partidos de centro pode abrir caminho para a deputada federal Carol de Toni (PL) disputar uma das vagas ao Senado na chapa de Jorginho Mello, ao lado de Carlos Bolsonaro.