Após vetar a aquisição parcial do Banco Master pelo BRB, o Banco Central aprovou um aumento de capital totalizando R$ 840 milhões em duas instituições financeiras controladas pelo mesmo grupo. A decisão ocorre em um período de revisão abrangente das regulações do setor financeiro.
O Banco Master Múltiplo está autorizado a receber um aporte de R$ 420 milhões, elevando seu capital social para R$ 1,586 bilhão. Simultaneamente, a Will Financeira (Will Bank), braço digital do grupo, poderá receber R$ 419 milhões, o que elevará seu capital para R$ 789 milhões.
Essa capitalização surge um mês após o Banco Central rejeitar a proposta de compra do Banco Master pelo BRB, uma operação que envolveria cerca de R$ 2 bilhões. A transação, que previa a aquisição de uma parcela significativa das ações do Master, foi recusada após análise regulatória e contestações do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que levantou questionamentos sobre a regularidade do processo.
A rejeição encerrou um período de intensa discussão sobre o Banco Master, que vinha adotando uma política agressiva de captação, oferecendo rendimentos acima da média do mercado, inclusive atrelados a ativos de maior risco. Esse modelo de negócios atraiu a atenção de órgãos como o MPDFT e o Ministério Público Federal (MPF), além de motivar medidas mais restritivas por parte do Conselho Monetário Nacional (CMN). Em agosto, o CMN estabeleceu novas regras para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), visando limitar a alavancagem e aumentar as contribuições de bancos considerados de maior risco.
Apesar do cenário desafiador, o grupo Master prosseguiu com o plano de reforço patrimonial. Somando-se aos dois aumentos de capital anteriores, de R$ 1 bilhão cada, realizados ao longo do ano, o montante injetado em 2025 atinge R$ 2,84 bilhões. O Will Bank, continua listado como ativo à venda. A aprovação do Banco Central sinaliza uma tentativa de estabilizar as finanças do conglomerado e preservar sua liquidez, após meses de pressão regulatória e questionamentos sobre sua saúde financeira.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br