Bolsa Família: 60,7% dos beneficiários deixaram o programa em 10 anos, revela estudo da FGV

Mais de 60% dos beneficiários do Bolsa Família deixaram o programa em uma década, segundo estudo

Uma pesquisa recente da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, traz dados animadores sobre o impacto do Bolsa Família na vida de seus beneficiários.

O estudo “Filhos do Bolsa Família” revela que, entre 2014 e 2024, impressionantes 60,7% das pessoas que recebiam o benefício conseguiram sair do programa assistencial, indicando um avanço significativo na melhoria de suas condições socioeconômicas.

Esses números reforçam a ideia de que o Bolsa Família não é apenas um auxílio emergencial, mas uma ferramenta eficaz para promover a **mobilidade social** e a autonomia das famílias brasileiras. Conforme informação divulgada pela FGV, os dados mostram que a política social tem alcançado seus objetivos de longo prazo.

Jovens lideram a saída do programa, demonstrando sucesso educacional

A pesquisa da FGV destaca que a taxa de saída do Bolsa Família é ainda maior entre os mais jovens. Entre os adolescentes que tinham entre 15 e 17 anos em 2014, o índice de saída alcançou 71,25% na década seguinte. Isso significa que, de cada dez jovens nessa faixa etária, sete deixaram de depender da transferência de renda.

Em seguida, a faixa etária de 11 a 14 anos apresentou uma taxa de saída de 68,80%. Já as crianças com até 4 anos em 2014 tiveram uma proporção de saída de 41,26%, indicando que, embora menor, a melhoria nas condições de vida também se manifesta desde cedo.

Condicionalidades do Bolsa Família como motor de desenvolvimento humano

O professor de economia da FGV e autor do estudo, Valdemar Rodrigues de Pinho Neto, ressalta a importância das condicionalidades do Bolsa Família, como a frequência escolar, a vacinação em dia e o acompanhamento pré-natal. Ele classifica o programa como um impulsionador da **mobilidade social**.

“Transferência de renda e, ao mesmo tempo, viabilizar o fomento de capital humano desses jovens, para que no futuro, tendo oportunidades de trabalho, de empreendedorismo, eles consigam acessar o setor produtivo, ter melhores condições socioeconômicas e, de certa forma, viabilizar essa mobilidade”, explicou Pinho Neto.

Sustentabilidade do programa e autonomia para o mercado de trabalho

A saída de beneficiários do Bolsa Família é vista como um indicador crucial para a **sustentabilidade do programa** a longo prazo. “No contexto de recursos escassos para o governo, saber que os filhos do Bolsa Família não necessariamente estarão presentes no programa no futuro, de certa forma, diz um pouco também a respeito da própria sustentabilidade do programa”, afirma o pesquisador.

Os dados indicam que aqueles que deixaram o programa não ficaram desamparados. No grupo de jovens de 15 a 17 anos em 2014, 28,4% possuíam vínculo formal de emprego dez anos depois, e mais da metade (52,67%) saiu do Cadastro Único (CadÚnico), principal porta de entrada para programas sociais.

Novo Bolsa Família mostra tendência positiva de saída

O estudo também analisou a versão atual do programa, o Novo Bolsa Família, iniciado em 2023. Entre os beneficiários observados no início de 2023, cerca de um terço (31,25%) já não estava mais no programa em outubro de 2025. Entre os jovens de 15 a 17 anos, a saída foi ainda mais expressiva, atingindo 42,59% no mesmo período.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, celebrou os resultados, afirmando que “o Bolsa Família não é um fim, mas um começo”. Ele enfatizou que a erradicação da fome é fundamental para que as pessoas possam estudar e trabalhar.

A pesquisa da FGV foi divulgada na mesma semana em que o IBGE informou que mais de 8,6 milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza em 2024, a menor taxa desde 2012. O mercado de trabalho aquecido e os programas sociais foram apontados como fatores determinantes para essa redução.

A nova versão do programa inclui a **regra de proteção**, que permite que beneficiários que conseguiram emprego permaneçam no programa por um período, e o **Programa Acredita**, que oferece microcrédito para empreendedores de baixa renda. Essas medidas visam suavizar a transição para o mercado de trabalho e promover a autonomia, consolidando o Bolsa Família como um mecanismo de **autonomia**.