Contas Públicas em 2025: Déficit Cresce para R$ 55 Bilhões e Dívida Líquida Atinge Recorde Histórico de 65,3% do PIB
As contas públicas do Brasil apresentaram um cenário desafiador em 2025, registrando um déficit primário de R$ 55,021 bilhões. Este resultado representa uma piora em relação ao ano anterior e reflete um aumento nas despesas públicas, especialmente no âmbito do Governo Federal, que superou o crescimento das receitas.
O setor público consolidado, que engloba União, estados, municípios e empresas estatais, fechou o ano passado com um saldo negativo de 0,43% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2024, o déficit primário havia sido de R$ 47,553 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB, indicando uma tendência de deterioração fiscal.
Esses dados foram divulgados pelo Banco Central (BC) através das Estatísticas Fiscais, consolidadas com informações de dezembro de 2025. Apesar de dezembro ter apresentado um superávit de R$ 6,251 bilhões, o resultado anual foi negativo. O déficit primário desconsidera o pagamento dos juros da dívida pública, focando no resultado das operações do governo.
Governo Central Pressionado por Gastos Obrigatórios
O Governo Central foi o principal responsável pelo déficit primário em 2025, com um resultado negativo de R$ 58,687 bilhões. Este valor é superior aos R$ 45,364 bilhões registrados em 2024. O Tesouro Nacional, utilizando uma metodologia ligeiramente diferente, apontou um déficit de R$ 61,69 bilhões, atribuindo a pressão ao aumento de gastos obrigatórios, como Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Apesar do aumento das despesas, que avançaram 3,4% (R$ 79,1 bilhões) em termos reais, uma arrecadação recorde em 2025 ajudou a mitigar um déficit ainda maior. A receita líquida cresceu 2,8% (R$ 64,3 bilhões) no período, demonstrando a resiliência da arrecadação mesmo diante do cenário de gastos elevados.
Estados e Municípios Contribuem com Superávit
Em contraponto ao resultado do Governo Central, os governos regionais, compostos por estados e municípios, apresentaram um superávit de R$ 9,537 bilhões em 2025. Este resultado representa um aumento em relação ao superávit de R$ 5,885 bilhões registrado em 2024, demonstrando um esforço de controle fiscal em esferas subnacionais.
As empresas estatais, excluindo Petrobras e Eletrobras, também contribuíram para o déficit consolidado, com um resultado negativo de R$ 5,871 milhões em agosto. No entanto, houve uma redução em comparação a 2024, quando o déficit atingiu R$ 8,073 bilhões, indicando uma melhora na gestão dessas estatais.
Despesa com Juros e Dívida Pública em Patamares Elevados
A despesa com juros da dívida pública atingiu um recorde de R$ 1 trilhão em 2025, superando os R$ 950,423 bilhões de 2024. Apesar do aumento nominal, o Banco Central ressalta que o PIB nominal cresceu mais rápido, resultando em uma despesa com juros de 7,91% do PIB, ligeiramente inferior aos 8,07% do PIB em 2024.
A alta da taxa Selic, que atingiu 15% ao ano, contribuiu para o aumento dos juros. No entanto, operações de swap cambial do Banco Central geraram ganhos de R$ 105,9 bilhões em 2025, reduzindo a conta de juros. Em 2024, essas operações haviam gerado perdas de R$ 115,9 bilhões.
O resultado nominal das contas públicas, que inclui o déficit primário e os gastos com juros, fechou em R$ 1,062 trilhão em 2025, um aumento em relação aos R$ 997,976 bilhões de 2024. Este indicador é crucial para agências de risco e investidores.
Dívida Líquida e Bruta Atingem Máximas Históricas
A dívida líquida do setor público alcançou o expressivo valor de R$ 8,311 trilhões em 2025, correspondendo a 65,3% do PIB. Este é o maior percentual da série histórica, superando os 61,3% do PIB (R$ 7,220 trilhões) de 2024. O crescimento é explicado pelo déficit nominal, juros e a apreciação cambial.
Similarmente, a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 10,017 trilhões, representando 78,7% do PIB, também um recorde. Em 2024, este índice estava em 76,3% do PIB (R$ 8,984 trilhões). Esses números refletem o aumento do endividamento público e são observados com atenção pelo mercado financeiro e por órgãos de avaliação de risco do país.