EUA busca dólar mais fraco para impulsionar exportações, mas alerta para riscos de inflação e instabilidade.
A gestão atual nos Estados Unidos tem sinalizado uma política econômica que favorece um dólar mais fraco. Essa estratégia, que remonta à campanha eleitoral, busca impulsionar as exportações americanas e, ao mesmo tempo, reduzir os rendimentos dos títulos do Tesouro, facilitando o crédito para famílias e empresas. Além disso, visa aliviar o peso dos juros sobre a dívida pública.
No entanto, especialistas alertam que essa desvalorização cambial pode ter efeitos colaterais significativos. A persistência da inflação é uma das principais preocupações, assim como a limitação da margem de manobra do Federal Reserve (o banco central americano) para cortar as taxas de juros.
Uma menor percepção de independência do Fed, caso haja interferência na gestão das taxas, poderia afetar a atratividade da dívida americana para investidores estrangeiros, aumentando a volatilidade do mercado e, paradoxalmente, elevando os rendimentos de longo prazo, prejudicando o crescimento econômico. As informações são de análise do Council of Foreign Relations.
Impactos globais da política cambial americana
A busca por um dólar mais fraco e as políticas comerciais dos EUA voltadas para a redução do déficit externo podem tornar o país uma fonte crescente de instabilidade econômica e geopolítica globalmente. Essa tendência, segundo o think tank ODI Global, deve se estender pelo menos até o primeiro semestre de 2026.
A diversificação de reservas para ouro e moedas alternativas pode continuar a reduzir a demanda pelo dólar. Para países endividados em dólar, a desvalorização pode trazer algum alívio. Exportadores de commodities também podem se beneficiar com receitas maiores em moeda local, mas economias dependentes de importações terão benefícios limitados.
A capacidade de resiliência e as políticas macroeconômicas de países de baixa renda serão testadas em 2026. A navegação em um cenário de crescimento mais lento, finanças fragmentadas e inflação persistente exigirá estruturas sólidas para promover mercados de capitais domésticos e investimentos que aumentem a produtividade. As informações são do grupo de aconselhamento ODI Global.