Fazendeiro planeja criar “universidade do búfalo” na Ilha de Marajó

Na Ilha de Marajó, um fazendeiro planeja criar o primeiro centro de estudos do país dedicado à bubalinocultura. O projeto, idealizado pela família proprietária da Fazenda e Empório Mironga, visa aprofundar as pesquisas sobre genética, manejo e o aproveitamento integral dos búfalos, animais que são símbolos da região.

A iniciativa, ainda sem data para sair do papel, é do fazendeiro Carlos Augusto Gouvêa, conhecido como Tonga. Ele vislumbra um espaço multidisciplinar, o Centro de Estudos da Bubalinocultura, que envolva veterinários, agrônomos, zootecnistas, biólogos, tecnólogos de alimentos e profissionais do turismo. O objetivo é impulsionar o melhoramento genético, agregar valor ao leite, couro e carne, e aprimorar as práticas de manejo e sanidade dos búfalos.

Enquanto a “universidade do búfalo” não se concretiza, a Fazenda Mironga oferece a “Vivência Mironga”, um turismo pedagógico que desde 2017 permite aos visitantes conhecer o dia a dia da propriedade, a produção artesanal de queijo de búfala e as práticas agroecológicas.

A família Gouvêa desempenhou um papel fundamental na legalização da produção do queijo do Marajó, um produto secular feito com leite cru e técnicas tradicionais. Em 2013, a queijaria da Mironga se tornou a primeira a obter inspeção oficial, e o queijo recebeu a Indicação Geográfica do INPI.

Além da produção de queijo, a carne de búfalo também ganha destaque na gastronomia local. Em Soure, a empreendedora Lana Correia, do Café Dona Bila, une a culinária nordestina aos ingredientes paraenses, oferecendo pratos como o Cuscuz de Murrá, com filé de búfalo, e o Cuscuz Praia do Amor, com camarão regional e queijo do Marajó.

Apesar da importância cultural e econômica dos búfalos, a produção e o consumo de seus derivados enfrentam desafios ambientais. A pecuária é apontada como uma das maiores emissoras de gases do efeito estufa no país, e o gás metano liberado durante a digestão dos animais contribui para esse problema. O futuro Centro de Estudos da Bubalinocultura poderá investigar soluções para mitigar esses impactos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br