Haddad indica nome ligado ao ministério para diretoria do Banco Central; veja quem é

Aliado de Haddad é cotado para assumir vaga no Banco Central; saiba mais sobre o economista

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma sugestão para preencher uma das vagas no Conselho Diretor do Banco Central. O nome defendido é o de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica da Fazenda.

Mello, um economista com perfil de esquerda, tem sido uma figura chave na defesa de cortes na taxa básica de juros, a Selic, que atualmente se encontra em 15%, o patamar mais elevado em quase duas décadas. A indicação, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto que pediram anonimato, reflete uma estratégia de Haddad em ter aliados próximos em posições chave da política econômica.

As informações sobre a indicação foram divulgadas pela Bloomberg. Nem o Ministério da Fazenda, nem o gabinete de Lula, nem o próprio Mello responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Vagas em aberto e histórico de indicações

O Conselho Diretor do Banco Central possui nove membros e está com duas cadeiras vagas desde o final de 2025, com o término dos mandatos de Diogo Guillen e Renato Gomes. A composição atual, presidida por Gabriel Galípolo, contou com apenas sete diretores na última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Não é a primeira vez que Lula pode seguir recomendações de Haddad para o Banco Central. Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, foi secretário-executivo da Fazenda sob a gestão de Haddad. No entanto, a fonte aponta que não está claro se o presidente acatará a sugestão desta vez.

Perfil de Guilherme Mello

Com 42 anos, Guilherme Mello integra o grupo dos economistas estruturalistas, uma corrente de pensamento associada à esquerda que defende a intervenção estatal e investimentos públicos como ferramentas para o crescimento da produção e a correção de desequilíbrios na oferta e demanda, em contrapartida a depender exclusivamente da política monetária.

Ele ocupa o cargo de secretário de Política Econômica desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023. Antes disso, Mello atuou como assessor na campanha presidencial de Haddad em 2018 e integrou a equipe responsável pela elaboração do programa econômico de Lula para a eleição de 2022.