Lula anuncia prioridade no combate à violência contra mulher e pede engajamento masculino em nova agenda

Lula coloca combate à violência contra a mulher no centro de sua agenda e convoca homens para a discussão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta terça-feira (16), que o enfrentamento à violência contra a mulher se tornou uma prioridade em sua gestão. Em reunião do Conselho de Participação Social, Lula enfatizou a necessidade de que essa luta seja uma discussão obrigatória entre os homens, buscando uma nova postura em relação ao tema.

“Isso agora faz parte da minha agenda. Eu quero estar na linha de frente com homens e mulheres que querem que esse país seja um país decente, digno e respeitoso com a questão de gênero”, declarou o presidente, ressaltando seu compromisso pessoal com a causa.

A declaração do presidente foi feita durante o encontro no Palácio do Planalto, onde ele defendeu que o combate à violência e ao feminicídio exige uma transformação cultural e a implementação de campanhas educativas eficazes. Conforme informação divulgada pelo Planalto, Lula defende que o tema deve ser abordado desde o ensino fundamental, promovendo a igualdade entre meninos e meninas.

Educação e Mudança de Paradigma como Pilares do Combate

O presidente Lula destacou a importância de envolver ativamente os homens nessa luta, questionando a inércia diante da gravidade do problema. Ele convidou representantes do Judiciário e do Legislativo para que tomem iniciativas concretas, visando a uma mudança de cenário. Lula ponderou que, muitas vezes, os homens se acomodam em uma postura machista, considerando a luta contra a violência como algo exclusivo das mulheres.

“Onde é que a gente vai parar? Então nós, homens, costumamos ficar no conforto do nosso machismo e dizer, bom, a luta é da mulher”, refletiu o presidente durante a reunião, que contou com a presença de representantes de 68 entidades que integram o conselho.

Desigualdades de Gênero e Raça no Cenário da Violência

Sonia Maria Coelho Gomes Orellana, integrante do Conselho de Participação Social, trouxe à tona a raiz da violência contra as mulheres, apontando as desigualdades de gênero e raça como fatores determinantes. Ela alertou que as violações têm se intensificado em um contexto de ódio, conservadorismo e racismo, frequentemente alimentados pela extrema direita.

“O Brasil está entre os países mais violentos do mundo para as mulheres, especialmente as mulheres negras e de sexualidade divergente”, afirmou Orellana, contextualizando a urgência e a especificidade do problema no país.

Inclusão e Proteção de Comunidades Tradicionais no Debate

Ivonete Carvalho, representante da Coordenação de Entidades Negras e também membro do conselho, reforçou a necessidade de estender a proteção às comunidades tradicionais. Ela pediu por avanços significativos em políticas de inclusão e no combate ao racismo, sublinhando a importância de reconhecer e valorizar a diversidade brasileira.

“Nós somos iguais na inclusão social e nos direitos, mas nós temos a nossa diversidade”, declarou Carvalho, defendendo que a igualdade não anula, mas sim celebra as diferenças.

Acordo Mercosul-UE na Pauta Presidencial

Em outro ponto da reunião, o presidente Lula expressou sua expectativa de que o acordo entre Mercosul e União Europeia seja assinado na cúpula de chefes de Estado, marcada para o dia 20 em Foz do Iguaçu (PR). A expectativa é de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, participe do evento.

“É um acordo que, se der certo, envolve um PIB de 22 trilhões de dólares e uma população de 722 milhões de habitantes”, ressaltou o presidente, evidenciando a magnitude econômica do possível pacto. Lula reconheceu a existência de resistências, especialmente na França, devido a preocupações de produtores rurais locais com a concorrência brasileira, mas demonstrou otimismo quanto à sua concretização.