Mercado Reduz Previsão de Inflação para 4,36% em 2024, Sinalizando Estabilidade e Impacto na Selic

Mercado financeiro ajusta expectativas e vê inflação mais controlada em 2024, com projeção do IPCA caindo para 4,36%.

A expectativa do mercado para a inflação oficial do Brasil em 2024 foi revisada para baixo pela quinta semana seguida. Conforme o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 4,4% para **4,36%**. Essa redução sinaliza um cenário de maior controle de preços no país.

A projeção atual se encontra dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que significa um limite superior de 4,5%. A convergência para este patamar é um indicativo positivo para a economia.

Essas revisões refletem um conjunto de fatores econômicos que vêm influenciando o comportamento dos preços. A análise detalhada dessas tendências e seus possíveis desdobramentos na política monetária, especialmente em relação à taxa Selic, é crucial para entender os próximos passos da economia brasileira. Confira os detalhes:

Projeções de Longo Prazo e Meta de Inflação

Para os anos seguintes, as projeções também indicam uma trajetória de inflação mais controlada. A previsão para 2026 passou de 4,16% para **4,1%**. Já para 2027 e 2028, as estimativas são de **3,8%** e **3,5%**, respectivamente. Essa perspectiva de desaceleração inflacionária a médio prazo é um ponto de atenção para os agentes econômicos.

Inflação Mensal e Acumulada

O índice de inflação de novembro registrou uma alta de **0,18%**, impulsionado principalmente pelo aumento no preço das passagens aéreas. Em outubro, o IPCA havia ficado em 0,09%. Com o resultado de novembro, a inflação acumulada nos últimos 12 meses atingiu **4,46%**, o que ainda se mantém dentro da meta estabelecida pelo CMN.

Taxa Selic e Incertezas na Política Monetária

O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como principal ferramenta para alcançar a meta de inflação. Atualmente, a Selic está em **15% ao ano**, nível mantido pela quarta vez consecutiva pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Essa decisão de manter os juros elevados ocorre em um cenário de **grande incerteza**, que, segundo o BC, exige cautela na condução da política monetária.

O comunicado do Copom indicou que a estratégia é manter a Selic neste patamar por um período prolongado, sem dar pistas claras sobre o início de cortes. A taxa atual é a mais alta desde julho de 2006. A elevação da Selic, que começou em setembro de 2024, tem o objetivo de conter a demanda aquecida, encarecer o crédito e estimular a poupança, o que pode impactar a expansão da economia.

Expectativas para a Selic e o Impacto no Crédito

As projeções de mercado para a taxa básica de juros indicam uma tendência de queda a partir de 2026. Analistas estimam que a Selic possa cair para **12,13% ao ano** até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é de novas reduções, para **10,5% ao ano** e **9,5% ao ano**, respectivamente.

A dinâmica da Selic tem um impacto direto no custo do crédito. Quando a taxa sobe, o crédito fica mais caro, e quando cai, tende a se tornar mais acessível, estimulando a produção e o consumo, embora possa haver um controle menor sobre a inflação. Bancos também consideram fatores como risco de inadimplência e custos operacionais ao definir os juros cobrados dos consumidores.

PIB e Câmbio: Perspectivas para a Economia

A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 permaneceu em **2,25%**, segundo o boletim Focus. Para 2026, a projeção é de **1,8%**, e para 2027 e 2028, as previsões apontam para **1,83%** e **2%**, respectivamente. No segundo trimestre de 2024, a economia brasileira cresceu **0,4%**, impulsionada pelos setores de serviços e indústria.

Em relação ao câmbio, a previsão para a cotação do dólar ao final de 2024 é de **R$ 5,40**. Para o fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana alcance **R$ 5,50**. Essas projeções indicam um cenário de relativa estabilidade cambial, embora sujeita a flutuações do mercado internacional e doméstico.