Fronteira com o Egito se torna tábua de salvação para palestinos em Gaza
A principal passagem de fronteira de Gaza, em Rafah, com o Egito, tem reabertura prevista para esta segunda-feira, conforme comunicado oficial de Israel. A notícia surge em meio a preparativos intensos no local, que esteve praticamente fechado desde maio de 2024, sob controle militar israelense.
Antes do conflito, a passagem de Rafah era a única rota de saída direta para a maioria dos habitantes de Gaza e um ponto vital para a entrada de ajuda humanitária. Sua reabertura é vista como uma esperança para milhares de pessoas.
A informação sobre a reabertura foi divulgada pela agência Reuters, com confirmação de um funcionário palestino e uma fonte europeia ligada à missão da União Europeia.
Controles rigorosos e foco em emergências médicas
Segundo o Cogat, unidade militar israelense responsável pela coordenação humanitária, a passagem funcionará nos dois sentidos, mas apenas para residentes de Gaza a pé. A operação será coordenada com o Egito e a União Europeia, com um projeto-piloto para testar o funcionamento.
Israel afirmou que a reabertura ocorrerá sob rigorosos controles de segurança, priorizando palestinos que buscam tratamento médico no exterior. Estima-se que 20.000 pacientes aguardem para deixar o enclave para tratamento de saúde.
Um oficial da defesa israelense indicou que a passagem comportará entre 150 e 200 pessoas diariamente, com maior fluxo de saída do que de retorno. Pacientes, como Moustafa Abdel Hadi, que aguarda um transplante, veem a reabertura como uma “tábua de salvação”.
Plano de paz e desafios persistentes
A reabertura de Rafah era um requisito fundamental da primeira fase do plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, para Gaza. No entanto, o cessar-fogo tem sido fragilizado por ondas de violência, com ataques israelenses e ações de militantes palestinos.
As próximas etapas do plano de Trump preveem a transferência de governança para tecnocratas palestinos, o desarmamento do Hamas e a retirada de tropas israelenses, com uma força internacional mantendo a paz.
O Hamas tem rejeitado o desarmamento, e Israel tem sinalizado que usará a força se necessário. A situação humanitária em Gaza permanece crítica, com a passagem de Rafah representando um alívio crucial para muitos residentes.