Primeiro Integrante Brasileiro da Flotilha Presa Relata Abuso e Violência

O primeiro integrante da delegação brasileira na Flotilha Global Sumud, iniciativa de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, a ser deportado, Nicolas Calabrese, denunciou violência durante a captura por militares israelenses.

De cidadania dupla, argentina e italiana, Calabrese, residente no Brasil há mais de dez anos, onde trabalha como professor de Educação Física e coordenador de cursos populares, relatou que a ativista ambiental Greta Thunberg foi particularmente afetada. “Fomos humilhados, sofremos golpes e violência física, principalmente a companheira Greta,” afirmou Nicolas.

Calabrese foi deportado junto com outros ativistas italianos para a Turquia e, posteriormente, viajou para a Itália e Portugal. Sua chegada ao Aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, está prevista para hoje.

As autoridades israelenses deportaram inicialmente cerca de 170 integrantes para a Turquia e outros países.

Segundo uma nota do Ministério das Relações Internacionais de Israel, outros 171 integrantes, incluindo Greta Thunberg, foram deportados para a Grécia e a Eslováquia. A nota, que inclui fotos dos ativistas, afirma que não há cidadãos brasileiros neste grupo. O comunicado assegura que todos os direitos legais dos participantes foram respeitados e nega os atos violentos. Um informe alega que o único incidente violento foi causado por um provocador que mordeu uma funcionária médica da prisão de Ketsiyot.

O Centro Jurídico para os Direitos das Minorias Árabes em Israel informou ter sido comunicado sobre a nova deportação, mas não recebeu detalhes sobre nomes e nacionalidades.

Não há informações detalhadas sobre os outros 13 integrantes da delegação brasileira que permanecem no sistema prisional israelense.

Os organizadores da Global Sumud Flotilla estão tentando reunir informações para averiguar quem são os participantes deportados e as datas de seus voos, mas não obtiveram informações de brasileiros deportados pela Embaixada do Brasil em Israel.

Thiago Ávila, João Aguiar, Bruno Gilga e Ariadne Telles permanecem em greve de fome em protesto pela situação na Faixa de Gaza. Thiago Ávila também iniciou uma greve de sede até que medicações vitais sejam entregues a alguns integrantes da Flotilha Global Sumud, que estariam privados de tratamentos médicos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br