Pedido de vista adia decisão crucial sobre o mandato de Carla Zambelli na Câmara dos Deputados
A votação do parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, que trata da perda do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), foi adiada. Um pedido de vista coletivo impediu a análise imediata do relatório apresentado pelo deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), que se manifestou contrário à cassação da parlamentar.
Com o adiamento, o documento só será discutido após duas novas reuniões do colegiado. A expectativa é que a própria Carla Zambelli e sua defesa tenham a oportunidade de serem ouvidos pela comissão na próxima sessão. Este é um momento decisivo para a deputada, que enfrenta um processo judicial complexo.
A deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, além de multa e a perda do mandato. A condenação está relacionada à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pouco antes de ter sua prisão decretada, Zambelli se ausentou do país, viajando para a Itália em julho.
Atualmente, Carla Zambelli encontra-se presa na Itália, aguardando uma decisão da Justiça local sobre o pedido de extradição enviado pelo Brasil. Em um desenvolvimento recente, o Ministério Público da Itália emitiu um parecer favorável à extradição, aumentando a pressão sobre a situação da parlamentar.
Parecer pela manutenção do mandato e críticas ao STF
O parecer que recomenda a não cassação do mandato de Carla Zambelli foi elaborado pelo deputado Diego Garcia. Em seu documento, Garcia expressou dúvidas sobre a certeza de que Zambelli tenha ordenado o ataque aos sistemas do CNJ. Ele argumentou que, na presença de incertezas ou lacunas nas provas, deve prevalecer o respeito ao voto de quase um milhão de eleitores.
O deputado também acusou o STF de promover uma “perseguição política” contra Zambelli. Segundo Garcia, a decisão da corte teria se baseado em “alguns arquivos recebidos por e-mails” e no “testemunho dúbio” do hacker Walter Delgatti Netto. Delgatti Netto foi condenado e preso pela invasão do sistema do CNJ, que incluiu um pedido de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.
Garcia justificou sua posição, afirmando que condenar a deputada seria não apenas puni-la, mas também **”silenciar”** as vozes de seus eleitores e reproduzir uma perseguição política que, em sua visão, já maculou o Poder Judiciário e poderia manchar o Legislativo.
Reações e próximos passos no Congresso
Após a votação do parecer na CCJ, o caso seguirá para o plenário da Câmara dos Deputados para a votação final. Para que o mandato de Carla Zambelli seja perdido, é necessária a aprovação por maioria absoluta dos votos dos 513 deputados.
A líder do PSOL, Fernanda Melchionna, criticou veementemente o parecer. Ela classificou a decisão como um “tapa na cara do povo brasileiro”, questionando a manutenção do mandato de uma deputada que se encontra presa em outro país e sem acesso à internet. Melchionna também ressaltou o custo mensal para os cofres públicos, estimado em R$ 140 mil, para manter um mandato que, segundo ela, estaria inativo.
A discussão sobre o mandato de Carla Zambelli na CCJ levanta debates importantes sobre a representatividade, a aplicação da lei e o funcionamento das instituições democráticas diante de casos complexos envolvendo parlamentares.